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31.03.2026 03:44 PM
O mercado provavelmente vai recuar

Os índices de ações dos EUA caem pela quinta semana consecutiva, com a maioria já em território de correção. Dez dos onze setores do S&P 500 devem encerrar março no vermelho, com uma queda média de 8,3%. Apenas o setor de energia deve fechar no azul, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio. À medida que aumenta o risco de um confronto prolongado, o sentimento de cautela se intensifica e passa a dominar o mercado acionário.

Dinâmica mensal do S&P 500

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Os investidores abandonaram as ilusões e passaram a esperar preços do petróleo mais elevados, bem como a manutenção da taxa dos fundos federais em 3,75% por um período prolongado pelo Federal Reserve. Essa combinação de fatores eleva o risco de recessão na economia dos EUA — claramente uma má notícia para os principais índices acionários.

Nos últimos 13 pregões, o S&P 500 moveu-se em sentido oposto ao Brent em 12 ocasiões. Essa forte correlação inversa ajuda a identificar o principal motor do mercado. O JPMorgan Chase argumenta que, se um conflito prolongado significar que o mundo não pode mais contar com o petróleo do Golfo Pérsico, uma recessão torna-se quase inevitável.

Ainda assim, o banco acredita que a situação atual difere de 2022, quando a inflação atingiu máximos de quatro décadas. Hoje, os níveis de inflação permanecem elevados, mas não há aceleração salarial, e a inteligência artificial atua como uma força moderadora sobre os preços. As probabilidades de uma desaceleração econômica são maiores do que as de um cenário de estagflação plena.

Dinâmica das ações de tecnologia

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A inteligência artificial (IA) foi anteriormente vista como um amortecedor contra um sell-off no setor de tecnologia — um argumento para encarar as Big Tech como uma espécie de refúgio no mercado acionário dos EUA. Na prática, essa expectativa não se confirmou. O índice de tecnologia registrou, em março, seu pior desempenho desde setembro de 2022. Os rendimentos elevados dos Treasuries, o aumento dos custos de eletricidade e as perturbações no fornecimento de insumos críticos para a produção de chips, como o hélio, pressionaram fortemente o setor.

Os hedge funds também praticamente capitularam. Uma análise do Goldman Sachs mostra que esses investidores reduziram suas posições em ações por seis semanas consecutivas. Por um lado, isso indica que os ursos estão no controle; por outro, pode abrir espaço para um rali de recuperação, caso os piores receios do mercado não se concretizem.

O Morgan Stanley acredita que a correção do S&P 500 está se aproximando da fase final, citando episódios anteriores em que os temores de recessão e os aumentos de juros pelo Federal Reserve não se materializaram.

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Mas o verdadeiro destino do S&P 500 depende do Oriente Médio. A Casa Branca está oscilando entre extremos — lançar uma operação terrestre ou se retirar do Irã, mesmo com o Estreito de Hormuz permanecendo fechado.

Visão técnica

No gráfico diário, o índice amplo do mercado continua em um movimento corretivo dentro de uma tendência de alta mais longa. As posições de venda abertas anteriormente, com alvos em 6.100 e 6.000, ainda fazem sentido de serem mantidas. Os principais níveis de resistência são os pontos de pivô em 6.440 e 6.510. Uma rejeição nessas regiões pode ser utilizada para adicionar mais posições de vendas no S&P 500.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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