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Os “falcões” em Washington freiam a alta do ouro, apesar da diminuição das tensões com o Irã

Os “falcões” em Washington freiam a alta do ouro, apesar da diminuição das tensões com o Irã

Os preços do ouro entraram em uma trajetória de alta sustentada em meio às negociações entre EUA e Irã realizadas na Suíça. Os investidores passaram a comprar metais preciosos de forma mais ativa, buscando equilibrar a redução das tensões geopolíticas com a postura ainda hawkish do Federal Reserve.

O ouro à vista avançou 1,1%, para US$ 4.204,34 por onça, enquanto os contratos futuros negociados nos Estados Unidos subiram 1,2%, para US$ 4.222,42. Na semana passada, o metal havia enfrentado pressão, acumulando perda de 1,4% e encerrando em baixa pela terceira sessão consecutiva.

O principal catalisador da reversão foi um avanço diplomático há muito aguardado. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que houve progresso significativo nas reuniões quadripartites. Mediadores do Catar e do Paquistão confirmaram que os negociadores concordaram com um roteiro para um acordo mais amplo, cujos detalhes técnicos deverão ser definidos nos próximos dias.

A perspectiva de paz e a redução do risco de interrupções no fornecimento global de energia arrefeceram imediatamente o mercado de petróleo. O Brent devolveu os ganhos registrados pela manhã, apesar das tensões persistentes no Estreito de Ormuz. A queda dos preços do petróleo reduziu os temores de uma nova aceleração da inflação, levando o mercado a precificar uma menor probabilidade de que o Fed precise apertar a política monetária de forma mais agressiva devido aos custos elevados de energia. Esse fator acabou dando suporte ao ouro.

Ainda assim, o entusiasmo é limitado pela postura do próprio banco central americano. Após a reunião da semana passada, o Fed manteve um tom hawkish, sinalizando que os juros podem permanecer elevados por mais tempo devido à persistência da inflação. Analistas do ING avaliam que a geopolítica continuará sustentando o interesse estrutural pelo ouro, mas os elevados custos de financiamento nos Estados Unidos tendem a limitar uma aceleração mais forte da alta do metal no curto prazo.

O índice do dólar permanece próximo das máximas dos últimos 13 meses. Agora, todas as atenções se voltam para a divulgação do índice de despesas de consumo pessoal (PCE) nos Estados Unidos, prevista para esta semana, que poderá fornecer novas pistas sobre os próximos passos do Fed.

Em meio ao sentimento positivo mais amplo, outros metais preciosos registraram ganhos ainda mais expressivos: a prata avançou 2,2%, para US$ 66,36 por onça, enquanto a platina disparou 11%, alcançando US$ 1.683,39.

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