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Goldman Sachs eleva previsões para o preço do petróleo em meio a interrupções no transporte marítimo e riscos geopolíticos

Goldman Sachs eleva previsões para o preço do petróleo em meio a interrupções no transporte marítimo e riscos geopolíticos

O banco de investimentos Goldman Sachs elevou suas previsões para o preço do petróleo pela segunda vez em menos de duas semanas. Os principais fatores por trás dessa revisão em alta são as interrupções prolongadas no transporte pelo Estreito de Ormuz e os crescentes riscos estruturais às cadeias globais de suprimento.

De acordo com o cenário-base atualizado pelo banco, o volume de transporte pelo Estreito de Ormuz deverá permanecer em apenas 5% dos níveis normais nas próximas seis semanas, seguido por uma recuperação gradual do tráfego no mês subsequente. Essa disrupção logística prolongada, combinada com a elevada concentração da produção global e da capacidade ociosa, altera de forma significativa a dinâmica do mercado.

“Reconhecer os riscos decorrentes da elevada concentração da produção e da capacidade ociosa provavelmente levará a um aumento estrutural dos estoques estratégicos e a preços de longo prazo mais elevados”, afirmou Daan Struyven, chefe de pesquisa de commodities globais do Goldman Sachs.

No curto prazo, o banco espera a continuidade da valorização dos preços em meio à incerteza. Segundo Struyven, as cotações deverão subir até que o mercado esteja convencido de que uma escassez prolongada é improvável. Para conter a demanda e se proteger contra possíveis restrições de oferta, o mercado exigirá um “prêmio de risco crescente”.

Com base nas novas premissas, o Goldman Sachs projeta que o preço médio do Brent alcance US$ 110 por barril em março e abril, acima da estimativa anterior de US$ 98 — um aumento expressivo em relação aos níveis observados em 2025.

A revisão também afetou as projeções de longo prazo. O banco elevou sua estimativa média para o Brent em 2026 de US$ 77 para US$ 85 por barril, enquanto projeta o WTI em US$ 79. Segundo analistas, essas revisões refletem um esgotamento mais acentuado dos estoques comerciais e uma reavaliação da capacidade ociosa efetiva, diante da adaptação do mercado às novas condições geopolíticas. Vale notar que, apenas duas semanas antes, em 11 de março, o Goldman já havia elevado suas previsões para o quarto trimestre de 2026, com Brent e WTI passando de US$ 66 e US$ 62 para US$ 71 e US$ 67, respetivamente.

Para 2027, o banco projeta um preço médio do Brent de US$ 80, mas destaca riscos significativos de superação desse nível. Em cenários extremos, nos quais os fluxos pelo Estreito de Ormuz permaneçam severamente restringidos por um período prolongado, os preços diários do Brent podem superar os máximos históricos registados em 2008.

Em um “cenário severamente adverso”, que pressupõe uma perda sustentada da oferta do Oriente Médio, os preços do petróleo poderiam disparar antes de se estabilizar em torno de US$ 115 por barril até o final de 2026.

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