Ruído geopolítico não consegue movimentar o mercado, com o petróleo a oscilar em torno dos US$ 60
Os preços do petróleo devem permanecer próximos de US$ 60 por barril ao longo deste ano, já que o excesso persistente de oferta tende a neutralizar os efeitos dos riscos geopolíticos, segundo pesquisa da Reuters divulgada na sexta-feira.
Em levantamento realizado em janeiro com 31 economistas e analistas, a projeção média para o Brent em 2026 ficou em US$ 62,02 por barril, levemente acima da estimativa de dezembro, de US$ 61,27. Para efeito de comparação, o Brent era negociado em torno de US$ 70 em 30 de janeiro, enquanto o preço médio no ano passado foi de aproximadamente US$ 68,20.
As tensões geopolíticas aumentaram nos últimos meses, impulsionadas por ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã, pela ampliação das sanções contra a Rússia e pela instabilidade persistente no Oriente Médio. Esses fatores elevam o risco de interrupções na oferta e, em determinados momentos, oferecem suporte aos preços.
Ainda assim, analistas destacam que a influência da geopolítica vem sendo limitada por forças fundamentais do mercado. Mudanças na política comercial dos Estados Unidos, a dinâmica da demanda na China e as decisões de produção da OPEP+ devem ter peso muito maior na formação dos preços.
“A geopolítica faz muito barulho, mas nem os eventos na Venezuela nem no Irã devem alterar o quadro geral. O mercado de petróleo parece estar em um excedente estrutural e duradouro”, afirmou Norbert Ruecker, do Julius Baer.
As estimativas indicam que o superávit de oferta neste ano pode variar entre 750 mil e 3,5 milhões de barris por dia.