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Confie, mas verifique. Há muito tempo, o Bitcoin é considerado o ouro digital, e as cold wallets eram vistas como a última linha de defesa de seus detentores. No entanto, com o BTC/USD caindo abaixo de US$ 63.000, fica claro que não existe proteção infalível.
A criptomoeda está perdendo força em várias frentes. O enfraquecimento do impulso em torno da Clarity Act, que deveria estabelecer uma estrutura regulatória para as transações com ativos digitais, está retirando do Bitcoin seu principal catalisador. O projeto de lei permanece parado no Senado às vésperas do recesso de verão, e os traders estão vendendo qualquer rali, sem esperar por um avanço nas negociações.
Os resultados decepcionantes das empresas do setor de criptomoedas estão aumentando a pressão vendedora. A receita da Coinbase aponta para uma demanda mais fraca por parte dos investidores de varejo, enquanto a Strategy, de Michael Saylor, maior detentora corporativa de bitcoin, registrou um prejuízo de US$ 8,22 bilhões no trimestre. Até o fim de julho, o Bitcoin acumulava queda de 14% em três meses e de cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os detentores de BTC/USD acompanham os efeitos da reavaliação das participações sobre os balanços das empresas ligadas às criptomoedas e sobre a capitalização de mercado das corretoras do setor.
Ao mesmo tempo, a volatilidade implícita do BTC/USD permanece próxima das mínimas históricas. O excesso de vendedores mantém o ativo confinado a uma faixa estreita de negociação, privando-o da amplitude de movimentos que tradicionalmente o caracterizava. O Bitcoin, que antes alternava fortes altas e quedas acentuadas, agora se assemelha a um boxeador exausto, poupando energia antes do round decisivo.
A pior notícia, porém, não veio do mercado, mas do setor de tecnologia. Hackers descobriram uma vulnerabilidade nos dispositivos Coldcard, uma marca de cold wallets há muito considerada referência no armazenamento seguro de ativos digitais. De aproximadamente 5.000 carteiras comprometidas, mais de 1.755 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 110 milhões, foram roubados.
O paradoxo é que, em 2026, o volume total de recursos furtados é menor do que no ano passado. Segundo a TRM Labs, as perdas somaram US$ 972 milhões, ante US$ 2,3 bilhões no ano anterior. No entanto, o número de ataques aumentou para um recorde de 207 apenas no primeiro semestre do ano.
Na realidade, o problema é mais profundo do que incidentes isolados. O apetite dos investidores por ativos especulativos está diminuindo de forma generalizada. A volatilidade em torno das operações concentradas em ações ligadas à inteligência artificial (IA) está levando os traders de curto prazo a adotar uma postura mais defensiva, e o Bitcoin acaba sofrendo junto com o mercado acionário. A alta dos rendimentos dos Treasuries após a reunião do Federal Reserve apenas intensifica a migração para ativos considerados mais
Confie, mas verifique. Se nem o Congresso nem as tecnologias de proteção funcionaram, o que resta para o Bitcoin? Talvez apenas a crença dos investidores de que a atual tempestade terminará mais cedo ou mais tarde, como aconteceu com todas as anteriores.
No gráfico diário do BTC/USD, os preços se aproximaram do limite inferior da faixa de consolidação entre US$ 62.000 e US$ 65.500. Um rompimento convincente desse nível aumentará o risco de retomada da tendência de baixa do Bitcoin e fornecerá base para a abertura de posições vendidas.