Veja também
O par EUR/USD permanece dentro de um recuo corretivo fraco, que ainda não pode ser considerado concluído. Na semana passada, houve uma série de eventos importantes, mas não se pode dizer que tenham influenciado de forma significativa o sentimento dos operadores ou o movimento do EUR/USD. Talvez a principal conclusão do fluxo de notícias tenha sido a disposição do Banco Central Europeu (BCE) em elevar as taxas de juros caso a inflação continue a acelerar, em contraste com a relutância do Federal Open Market Committee em adotar medidas semelhantes. Assim, os compradores receberam mais um fator de suporte — e não lhes faltam motivos.
No entanto, na segunda-feira, os compradores não demonstraram pressa em iniciar um novo movimento de alta. Por volta do meio-dia, surgiram informações de que o Irã teria atacado um destróier dos EUA no Golfo Pérsico, próximo ao Estreito de Ormuz. Autoridades em Washington rapidamente afirmaram que o navio não havia sido atingido de forma crítica, e ainda permanece incerto onde os mísseis caíram — ou mesmo se atingiram, de fato, o navio da Marinha dos EUA.
É possível que Teerã tenha lançado mísseis de advertência que caíram nas proximidades do destróier, ou que tenham sido projéteis de baixa potência, causando danos mínimos. Ainda assim, é importante destacar que a situação claramente não segue por um caminho pacífico. O dólar apresentou leve valorização na segunda-feira, mas não houve uma escalada mais ampla — o que pode ser visto como um sinal relativamente positivo.
Na situação atual, os operadores só podem aguardar a resolução do desequilíbrio 13 ou a formação de novos padrões de alta. Continuo a considerar a tendência como altista. Na semana passada, os compradores ficaram muito próximos de resolver o desequilíbrio 13 e gerar um sinal. No momento, não há padrões de baixa, portanto não existe uma base clara para vender o par. O sinal de compra anterior, proveniente do desequilíbrio 12, funcionou perfeitamente, com o euro avançando aproximadamente 270 pontos.
Também vale destacar que toda a valorização do dólar americano entre janeiro e março foi impulsionada exclusivamente pela geopolítica. Assim que EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo, os vendedores recuaram imediatamente, e os compradores iniciaram um novo movimento de alta. Atualmente, a trégua é bastante frágil, mas ainda se mantém. Já mencionei várias vezes que não acredito que a tendência de alta tenha terminado, apesar da quebra de mínimas importantes formadoras de tendência.
O movimento de preços dos últimos dois meses pode evoluir para uma tendência de baixa caso as condições geopolíticas continuem a se deteriorar. No entanto, os mercados frequentemente precificam o cenário mais pessimista, tentando antecipar os desdobramentos mais extremos. Assim, é possível que os operadores já tenham, em grande parte, precificado o conflito no Oriente Médio. Para novos movimentos de alta, faltam atualmente catalisadores positivos, enquanto os vendedores também carecem de fatores negativos suficientes.
A leitura geral do gráfico permanece clara: o movimento altista segue intacto, mas precisa de suporte. Nesta semana, esse suporte pode vir dos dados do mercado de trabalho dos EUA, incluindo desemprego, vagas de emprego, relatórios ISM de atividade empresarial, além dos desdobramentos geopolíticos. Como vimos, a segunda-feira não começou de forma tranquila, mas ainda não se pode falar em uma escalada em grande escala no Oriente Médio.
O fluxo de notícias na segunda-feira foi praticamente inexistente (com exceção da geopolítica). A presidente do BCE, Christine Lagarde, deve discursar à noite, mas não são esperadas declarações relevantes sobre política monetária. A reunião do BCE ocorreu na semana passada, e os operadores já compreendem a postura do regulador para os próximos meses. Tudo dependerá dos preços de energia e da inflação.
Os compradores ainda têm diversos argumentos para sustentar a alta ao longo de 2026, e nem mesmo a eclosão do conflito no Oriente Médio foi suficiente para enfraquecê-los. Do ponto de vista estrutural e global, a política de Donald Trump — que contribuiu para a desvalorização do dólar no ano passado — não mudou.
Nos próximos meses, o dólar pode ocasionalmente se fortalecer em momentos de aversão ao risco, mas isso dependerá de uma escalada contínua no Oriente Médio. Ainda não há sinais claros de uma tendência de baixa consistente. O dólar recebeu apenas suporte temporário — e permanece a questão: o que poderia sustentar um movimento de baixa de longo prazo?
Calendário de notícias para os EUA e a Zona do Euro:
No dia 5 de maio, o calendário econômico contém quatro eventos, dois dos quais são de interesse. O impacto do cenário noticioso sobre o sentimento do mercado na terça-feira poderá ser sentido na segunda metade do dia.
Previsão para o EUR/USD e dicas para traders:
Na minha avaliação, o par ainda se encontra em fase de formação de uma tendência de alta. O cenário informacional mudou de forma abrupta há dois meses, mas a tendência não pode ser considerada encerrada ou invalidada. Assim, no curto prazo, os compradores ainda podem manter o avanço caso o cenário geopolítico não evolua para uma nova escalada significativa.
Os traders tiveram a oportunidade de abrir posições compradas com base no sinal do "imbalance 12", e o movimento de alta pode se estender em direção às máximas anuais. O "imbalance 13" também já se formou e pode gerar um novo sinal altista em breve.
Para que o euro avance sem obstáculos, seria necessário que o conflito no Oriente Médio evoluísse para uma paz estável — algo que, no momento, ainda não se observa. Os compradores atualmente não contam com suporte suficiente, mas podem vir a ganhá-lo ao longo da semana.